A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (28/8), uma das maiores operações já realizadas contra o crime organizado no Brasil, com foco no setor de combustíveis e em esquemas de lavagem de dinheiro. A ofensiva é fruto de ação conjunta entre o Ministério da Justiça e Segurança Pública, a PF, a Receita Federal e o Ministério da Fazenda. Batizadas de Quasar e Carbono Oculto, as investigações miram redes criminosas ligadas ao PCC, o Primeiro Comando da Capital, que movimentaram mais de R$ 23 bilhões e foram cumpridas em 10 estados.
Segundo o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, a dimensão da operação reflete a necessidade de enfrentar o avanço das facções que se infiltram em atividades econômicas legalizadas. “Há muito tempo estamos acompanhando um fenômeno que é a migração da criminalidade organizada da ilegalidade para a legalidade. Para combatê-lo, não basta mais apenas uma operação policial, é preciso uma atividade integrada de todos os órgãos governamentais”, afirmou.
As apurações apontam que grupos criminosos vinham se apropriando de parte do setor de combustíveis, articulando fraudes fiscais e utilizando o sistema financeiro para lavar recursos. A Operação Quasar identificou um esquema que se valia de fundos de investimento para ocultar patrimônio ilícito. A Justiça Federal autorizou o sequestro integral desses fundos, o bloqueio de até R$ 1,2 bilhão e a quebra de sigilo bancário e fiscal de investigados em São Paulo, Campinas e Ribeirão Preto.
Já a Operação Carbono Oculto foca no desmantelamento de fraudes e sonegação articuladas no mercado de combustíveis. O ministro destacou que a iniciativa só foi possível graças ao entrosamento entre instituições. “Com certeza, esta é uma das maiores operações da história brasileira e ousaria dizer também que é uma das maiores operações em termos mundiais, graças ao entrosamento da Polícia Federal, da Receita Federal e de outros órgãos, como os Ministérios Públicos Estaduais”, disse.
Lewandowski lembrou que, desde janeiro de 2025, o governo estruturou um núcleo de combate ao crime organizado, com uma visão “sistêmica, holística e estruturante”, reunindo PF, PRF, Receita, Coaf, Cade e Ministério de Minas e Energia. “Determinamos à Polícia Federal que instaurasse um inquérito amplo e abrangente, capaz de concentrar investigações e desarticular as organizações criminosas que vinham operando no setor de combustíveis”, ressaltou.
O ministro também defendeu a aprovação da chamada PEC da Segurança, em tramitação no Congresso Nacional, que institucionaliza a cooperação entre forças policiais, órgãos de inteligência e fazendários. “A proposta do governo do Brasil é justamente esta: que todas as forças de segurança do país se entrosam, que as inteligências sejam compartilhadas e as operações coordenadas. Isso precisa se tornar uma realidade cotidiana para enfrentar as facções que hoje proliferam no Brasil”, concluiu.
Fonte: Correio Brasiliense
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