Por Renan Freire, Jornalista da Serra FM
Pode parecer tolice pensar nas próximas gerações que irão compor o mundo daqui a alguns anos. Porém, tenho observado atentamente o comportamento de crianças e jovens, e lhes digo, poucos se salvarão dessa nova linhagem. Não é querendo causar polêmica, tampouco difundir ideia respaldada no senso comum, pois, ao abrirmos nossas redes sociais e curiosamente pesquisarmos os interesses ou conteúdos acessados pelos jovens, sairemos aterrorizados com tamanha idiotice e constataremos que algo de errado não está certo. Será que este é o momento da história em que retrocedemos?
Sigmund Freud, pai da Psicanálise, definiu três etapas e faces da personalidade humana, as quais desenvolvemos em diferentes estágios da vida: A primeira, denominada Id, o sujeito é movido pelo prazer instantâneo, um sentimento primitivo, incapaz de ser controlado. Já a segunda etapa, o ego, permite ao ser humano reavaliar suas ações e aderir à razão em determinada situação. Por fim, Freud definiu como última etapa da personalidade humana o Superego. É nesse estágio que o sujeito é capaz de avaliar o que é aceitável socialmente e adequar seu comportamento. Estaria a Geração Z experimentando apenas o id? Sim! Esta é a Geração ID, prazer e mais prazer, sem nenhuma moderação! Os pais, ao invés de ter soberania, negligenciam a educação dos filhos achando que esta é somente obrigação das escolas. Um dos maiores filósofos do período Pré-Socrático, Pitágoras de Samos, já nos dava o recado: “Eduquem as crianças para que não seja preciso punir os homens”. A mensagem é clara, aqueles que somente experimentam o algodão doce e nunca sentiram o gosto salgado das lágrimas, pagam por um preço caro.
Em corredores de mercados, shoppings e vários outros lugares eu vejo, de repente, crianças se jogando no chão implorando por brinquedo ou por algo que os pais não podem comprar. Mas, alguns pais, que dão ousadia à indisciplina, preferem acumular mais dívida para fazer os gostos de menino buchudo, e no final; isso se torna um círculo vicioso. Na idade adulta, essa criança será totalmente egoísta, preguiçosa e, certamente, tonta. Onde vamos parar? Antigamente, não que eu querer dizer que aquele era o modelo correto, ou o melhor a ser feito, mas éramos repreendidos e ali ficamos calados, caso contrário, o cascudo chiava no pé do ouvido. Claro, violência não leva a nada, não sou a favor dessa prática, mas impor respeito é necessário. Esse meu pensamento é fundamento nas ideias de Michel Foucault, filósofo francês, que discutiu bastante sobre poder. Nossa sociedade e toda humanidade é regida pelo controle, nesse caso pelo macropoder, isto é, o Estado. Todavia existem, pois, instituições que detém forças sobre nossos comportamentos; ou seja, micropoderes, a título de exemplo: Igreja, Escola, Família, Trabalho, hospitais etc). A família é nosso primeiro ambiente social, se por ela não somos submetidos a regras e sanções, provavelmente, não respeitaremos as outras instituições. Por isso, o que tem feito essa geração se tornar tão estúpida são os modos que vivem em família. É no ceio do lar onde os jovens escutam o que querem, bebem o que querem, andam com que querem e fazem o que querem, tem disciplina? Não! Está aí o motivo pelo qual viver em sociedade tem sido cada vez mais difícil. Enquanto boa parte olham para o próprio nariz, e copiam uns aos outros, a minoria busca evoluir em mudar o rumo das coisas. Uma parcela dos pais agem como crianças, também tentam esconder suas antipatia com o mundo e espelham esse mal nos filhos. No entanto, a boa notícia é que nem tudo está perdido. Há muitos jovens dedicados, obedientes e sábios. Estes não perdem horas em jogos nem tratam os pais com rebeldias, são verdadeiras raridades.
Sendo assim, creio que a geração vindoura enfrentará uma gama de problemas devido à falta de posicionamento dos pais. São eles os responsáveis por transformar cada um em ‘pessoas de bem’. Mas como todo humano falho, muitos comentem erros irreparáveis, colhendo os frutos mais tarde… Formar um ser humano exige sapiência e amor. Confundimos constantemente o sentido real do verbo amar, por isso, o vejo com outra definição, e, lá está a definição: amar é cuidar, o cuidado envolve relutar.

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