O novo Atlas Mundial da Obesidade 2026, divulgado na terça-feira (3) pela Federação Mundial de Obesidade, alerta que 20,7% das crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos, o equivalente a uma a cada cinco, têm sobrepeso ou obesidade.
O número revela um aumento em relação a 2010, quando era de 14,6%. Com isso, a estimativa é que, em 2026, pela primeira vez, o percentual de sobrepeso infantil ultrapasse o de jovens abaixo do peso no mundo.
O total equivale a 419 milhões de crianças e adolescentes pelo planeta. A federação estima que, em 2040, o número deve subir para 507 milhões e representar 26,4%, mais de 1 a cada 4.
Especificamente com obesidade, o atlas mostra que 8,7% têm o diagnóstico hoje, o que corresponde a 177 milhões de jovens, o que deve crescer para 11,9%, 228 milhões de indivíduos, em 2040.
“Importante notar que o Brasil tem um crescimento maior da obesidade nessa faixa etária nas classes sociais mais baixas. O que mostra que ela está associada ao nível socioeconômico, e que a dificuldade em comprar alimentos saudáveis, cozinhar em casa, são fatores que levam muitas famílias de baixa e média renda a optarem por ultraprocessados e itens de baixo valor nutricional. A obesidade não é uma questão de escolhas individuais, está muito associada à condição socioeconômica”.
A Federação alerta que o mundo caminha para não cumprir a meta global de interromper a alta da obesidade infantil até 2030. E ressalta que o quadro leva a condições de saúde semelhantes às observadas entre adultos, incluindo risco aumentado para diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares, que são a principal causa de morte hoje no Brasil e no mundo.
Segundo o documento, embora a obesidade tenha sido anteriormente mais associada a países de maior renda, hoje os aumentos de prevalência estão ocorrendo de forma mais acelerada em nações de média e baixa renda, como o Brasil.
Para Hapern, assim como para os responsáveis pelo atlas, são necessárias medidas urgentes para frear esse crescimento pelo mundo, como implementar impostos seletivos sobre bebidas adoçadas e ultraprocessados, restringir propaganda direcionada às crianças e fortalecer estratégias de promoção de atividade física, alimentação saudável nas escolas, aleitamento materno e atenção primária à saúde.
“Tem pontos em que o Brasil vai bem. Oferecer comida saudável em escolas é uma política forte no país. Mas não é suficiente. O consumo de ultraprocessados, embora ainda seja menor que a média mundial, está crescendo. Precisamos de ações conjuntas, de estratégias bem feitas”, defende Halpern.
Para a diretora-executiva da Federação Mundial de Obesidade, Johanna Ralston, os governos não devem hesitar em implementar ações do tipo: “não é correto condenar uma geração à obesidade e às doenças crônicas não transmissíveis — potencialmente fatais — que muitas vezes a acompanham”, afirma em nota.







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