Notícias

Genial/Quaest: escândalo do Master derruba a confiança no STF

0

O escândalo do Banco Master, liquidado pelo Banco Central, em novembro do ano passado, está arrastando para a berlinda os Três Poderes da República de forma generalizada, como governo atual, governo anterior, Supremo Tribunal Federal (STF) e até o Congresso Nacional.

Contudo, o STF foi a instituição que mais perdeu a confiança dos brasileiros, tanto que candidatos que se comprometam com o impeachment dos membros da Corte podem largar na frente na preferência dos eleitores neste ano, conforme dados de um recorte da edição de março da Pesquisa Genial Quaest divulgada nesta quinta-feira (12/3).

O levantamento da Quaest indica que 40% dos eleitores consideram que todos os citados foram afetados negativamente pelo caso Master. Entre os poderes citados, o STF e o Judiciário foram apontados por 13% dos entrevistados, liderando as indicações, apesar de o fato de metade dos eleitores reconheceram que o papel do Supremo foi importante para manter a democracia no país.

O governo anterior, do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), também foi lembrado pelos entrevistados e ficou em segundo lugar no ranking dos que seriam mais afetados negativamente pelo caso Master, indicado por 11% dos entrevistados. E, em terceiro lugar, ficou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que recebeu 10% das indicações.

Na sequência, o Banco Central, foi apontado por 5%, e o Congresso Nacional foi citado por 3%. Dezesseis por cento disseram que não sabem ou não responderam e apenas 1% disse que nenhum dos citados foi afetado negativamente, conforme o recorte da pesquisa quantitativa da Quaest realizada em parceria com a Genial Investimentos.

Considerando o posicionamento político, a maioria dos eleitores de esquerda não lulista e dos independentes acredita que todos os integrantes dos Três Poderes foram afetados negativamente pelo escândalo do Master, com percentuais de 51% e 49%, respectivamente. Entre os lulistas, esse percentual foi de 31%, e, entre os bolsonaristas, de 35%, e cada um deles aponta o outro governo como maior afetado negativamente pelo caso Master.

Queda da confiança no Supremo

O escândalo do Master provocou um rombo de quase R$ 52 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito (FGC) — o maior da história do Fundo criado em 1994 — e está deixando um rastro de destruição não apenas no campo financeiro, afetando principalmente a imagem do Supremo e de políticos que estão sendo citados nas investigações.

Conforme dados da pesquisa, em 2022, 56% dos eleitores confiavam no Supremo enquanto 40% não confiavam. Esse quadro só piorou desde então, tanto que, na edição de março deste ano, o quadro inverteu pela primeira vez no levantamento e 49% dos entrevistados disseram que não confiam no STF — seis pontos percentuais acima dos 43% dos eleitores que confiam na Corte.

O aumento da desconfiança dos brasileiros no Supremo, segundo analistas, é resultado do fato de ministros da Corte serem próximos ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master — que foi preso novamente pela PF –, seja via contrato de prestação de serviços de escritório de advocacia de familiares, seja via sociedade em resort no Paraná, seja via passeios em iate pela Riviera Francesa ou em jato particular.

A pesquisa mostrou ainda um recorte regional dos eleitores que não confiam mais no Supremo. A região Sul foi a que possui o maior percentual de eleitores que desconfiam do Supremo, de 64% — acima da edição anterior, em agosto de 2025, antes do escândalo do Master, de 51%.

No Sudeste, o percentual de eleitores que desconfiam do Supremo percentual foi de 51%, praticamente estável em relação à anterior. No conjunto Centro-Oeste-Norte, a taxa avançou de 46%, em agosto de 2025, para 50%, neste mês. O Nordeste, na contramão, apresentou a menor taxa de eleitores que não confiam no STF, de 38%, mesmo percentual da edição anterior.

Para 72% dos eleitores, o STF tem poder demais e 66% deles consideram que é importante votar em um candidato para o Senado que seja comprometido com o impeachment de ministros do Supremo.

Praticamente metade dos eleitores (51%) consideram que o STF foi importante para a democracia do Brasil e 59% deles afirmaram que a Corte Suprema é aliada do governo Lula.

Compliance Zero

As fraudes do Master foram reveladas pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero, deflagrada em 18 de novembro, mesmo dia em que o BC decretou a liquidação extrajudicial da instituição de Daniel Vorcaro, cujo patrimônio teve um crescimento expressivo entre 2015 e 2025, passando de R$ 2,5 milhões para R$ 2,6 bilhões em uma década – aumento de , conforme dados da Receita Federal enviados para membros da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Em setembro do ano passado, o BC vetou a venda do Master para o Banco de Brasília (BRB), anunciada em março do mesmo ano, sinalizando problemas na operação, e especialistas apontaram problemas na fiscalização das autoridades, pois elas não identificaram problemas nos balanços do Master.

As investigações da PF identificaram fraudes de R$ 12,2 bilhões na venda de uma carteira de crédito podre do Master ao BRB que, agora, tenta cobrir mais de R$ 6 bilhões em perdas por meio de uma operação de empréstimo com garantias de imóveis do Governo do Distrito Federal (GDF).

Nesta semana, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI que investiga o Crime Organizado, protocolou pedido para a criação no Senado Federal de uma nova CPI para investigar as relações dos ministros do STF Alexandre de Moraes e Dias Toffoli com o Master.

Impacto nas eleições

O escândalo do Master, inclusive, deverá influenciar as eleições presidenciais deste ano, de acordo com a pesquisa da Quaest. Segundo o levantamento, 36% dos eleitores lulistas evitaria votar em qualquer candidato envolvido no escândalo do Banco Master e 23% deles levariam em consideração o tema do Master antes de votar.

Enquanto isso, entre os eleitores bolsonaristas 49% disseram que evitariam votar em qualquer candidato envolvido no escândalo do Master e 28% dos bolsonaristas disseram que levariam em consideração, assim como outras questões. Entre os independentes, 36% deles evitaria votar em qualquer candidato envolvido no escândalo do Master e 28% levariam o tema em consideração, assim como outras questões.

A Quaest realizou 2.004 entrevistas de eleitores brasileiros com 16 anos ou mais, de forma presencial, entre os dias 6 e 9 de março. A margem de erro é de dois pontos percentuais e o nível de confiança é de 95%.

Veja alguns recortes da pesquisa:

serrafm87

Oscar 2026: Indicado a Melhor Ator, Wagner Moura será um dos apresentadores na cerimônia

Post anterior

Recomendado para você

Comentários

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais em Notícias