As articulações em torno da montagem das chapas de candidatos ao Senado Federal tem movimentado os bastidores da política em Pernambuco com mais força ultimamente. O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, revelou, em coletiva de imprensa realizada ontem, no Recife, que a ex-deputada federal e pré-candidata ao Senado Marília Arraes manteve conversa com a governadora Raquel Lyra (PSD), em busca de espaço na chapa da gestora estadual.
Até então integrante do grupo do prefeito do Recife e virtual pré-candidato ao governo estadual, João Campos (PSB), a ex-deputada estadual recebeu de Raquel Lyra manifestação de interesse em relação à possibilidade de aliança, de acordo com Lupi.
“Voltamos a conversar, liguei para ela (a governadora Raquel Lyra), ela mostrou interesse, manteve uma conversa com Marília que foi muito boa. Agora a gente vai dar sequência. Vou falar com ela de novo”, expôs Lupi.
O contato encerra um longo período de distanciamento entre as duas políticas, que se enfrentaram nas urnas no segundo turno de 2022, quando Raquel Lyra foi eleita para o atual mandato de governadora.
Ao falar sobre as articulações em torno da composição com o prefeito João Campos, Carlos Lupi afirmou que não ficou “animado” com as conversas que teve com o prefeito, mas que deverá voltar a conversar com o gestor.
Mais cedo, em entrevista à Rádio Folha 96,7 FM, o líder do PDT detalhou o imbróglio envolvendo a articulação para que Marília concorra ao Senado na chapa de Campos. De acordo com ele, o prefeito deu sinais de que já teria formado a chapa e havia “descartado” a presença da ex-deputada.
“Estamos vendo pela imprensa que o prefeito João já fechou a sua nominata com seus candidatos, e nós estamos excluídos, e estamos buscando outras alternativas. Como a gente pode ficar com quem não quer ficar com a gente?”, defendeu Carlos Lupi.
Já na coletiva de imprensa, o líder partidário informou ter recebido um telefone de João Campos logo após a entrevista e que o gestor recifense disse que não havia concluído a construção da chapa e que o diálogo estava aberto. Lupi enfatizou que a pré condição para uma aliança com o prefeito é ter Marília em uma das vagas da chapa para o Senado.
“Coloquei para ele que a pré-condição para o PDT estar numa chapa é a vaga de Senado. Estou falando porque ela lidera todas as pesquisas. Se vocês encontrarem um estado da federação em que o candidato que lidera a pesquisa, é rejeitado, é subtraído, não é aceito, me fala, eu não conheço”, cravou.
Questionado sobre a aproximação entre Marília e Raquel, Carlos Lupi lembrou a relação entre o presidente Luiz Inácio Lula da SIlva (PT) e Leonel Brizola, fundador do PDT.
“A política pode ter a divergência, ela não pode separar a causa. Quem tem causa, fica com essa causa. O Lula ficou com o Brizola, quando ele foi candidato a governador pela segunda vez em 1990, e o Brizola ficou com o Lula na eleição da República mesmo tendo divergências profundas. Se pegar nas redes sociais a memória, vai ver como é que o que um falava do outro pouco antes da eleição, a política é assim”, frisou.







Comentários